Um
caso “difícil”e “estranho”
Hong Jin Pai
Conclusões
do tratamento por Acupuntura apontaram que o médico
acupunturista deve aprofundar o conhecimento das outras áreas
médicas para obter ótimo resultado.
A história de um menino de 10 anos, filho de
médico, que tratei recentemente, me fez pensar
e refletir muito sobre a nossa vida profissional como
médico e a nossa especialidade; a Acupuntura.
No último mês de setembro, esse menino
veio se consultar comigo acompanhado de seus pais. Logo
no início da consulta,
a mãe muito ansiosa revelou que seu filho fazia
tratamento psiquiátrico há três anos,
quando o diagnosticaram com “fobia social”,
diagnóstico este confirmado por outros médicos.
Desde então, a criança fazia uso de antidepressivos,
e, paralelamente, fazia tratamento psicoterápico.
Embora incerta, a mãe relatou que o diagnóstico
da psicóloga foi algo parecido com “ruptura
de amor”.
Na história clínica, o menino referiu sintomas de náuseas, vômitos, irritabilidade e impaciência em permanecer na sala de aula, fato que ocorria já no início da primeira aula.
Em razão do uso de antidepressivos e da inatividade física adquiriu 15 kg. Queixava- se ainda de dor na região lombar direita, tendo sido diagnosticado “osteoartrite” do quadril e indicado prótese de quadril direito, segundo informações dos pais. Inicialmente, com exceção da cirurgia de quadril, eu não tinha dúvidas em relação ao diagnóstico,porque havia sido confirmado por vários colegas. Ao exame físico, apresentava pontos dolorosos no trapézio direito, hipersensibilidade na área parietal direita e observei também que o menino apresentava algum incômodo em relação à luz da lâmpada da sala. Desconfiei e perguntuei sobre a existência de sintomas de enxaqueca, que foram confirmadas pelo paciente, sendo que a mãe também relatou ser portadora de enxaqueca. Em seguida, inseri as agulhas nos pontos SJ 6, VB 34, DM 20 e VB 20 bilateralmente,e acrescentei o ponto VB 8 direito para tratar a enxaqueca, por essa ser classificada como Hiperatividade do Yang. O tratamento consistiu de duas sessões semanais nas duas primeiras semanas que, com a sensível melhora clínica após a primeira semana, foi reduzido para uma sessão semanal durante as cinco semanas seguintes. No momento, o paciente encontra-se bem, iniciou atividade física e não apresenta mais sintomas de enxaqueca e com alívio
total da dor lombar. Apesar do menino não ter nenhuma restrição ao exame do quadril, por questão de segurança, pedi exames radiológicos e exames complementares, os quais estavam absolutamente normais. Deste caso, tirei as seguintes conclusões e, com certeza, os colegas vão concordar comigo que: 1. Infelizmente, a Acupuntura ainda é a “última opção” do paciente ou uma opção alternativa. Desse modo trataremos com mais freqüência pacientes crônicos. 2. Os pacientes crônicos apresentam mais sintomas e mais doenças associadas, o que muitas vezes dificulta o nosso tratamento, assim como o manuseio de medicamentos. 3. Há sempre a necessidade de confirmar o diagnóstico. E estes, por serem casos crônicos, tanto os sintomas quanto a evolução clínica podem confundir o médico. 4. Nesse meu caso específico, os sintomas eram tipicamente de enxaqueca de um jovem, mas muitas vezes na prática clínica do pequeno paciente, damos mais importância ao relato da mãe e não valorizamos o veredito dele. 5. Nós, médicos acupunturistas, além de dominar o tratamento com a Acupuntura, devemos aprimorar e aprofundar o conhecimento das outras áreas médicas pelas razões apresentadas acima, além de saber correlacionar a terapia de Acupuntura com as variações clínicas. |